A lucidez é um dom e um castigo. Está tudo em uma palavra. Lúcido vem de Lúcifer, o arcanjo rebelde, o Demônio. Lúcifer é também o luzeiro do amanhecer, a primeira estrela, a que mais brilha e a última a se apagar. Lúcido vem de Lúcifer, Lúcifer, de Lux e Ferous que quer dizer: aquele que tem luz. Que gera luz. Que permite a visão interior. Deus e Demônio tudo junto. O prazer e a dor. Lucidez é dor, e o único prazer que podemos conhecer, o único que se parece remotamente à alegria é o prazer de permancer consciente da própra lucidez. O silêncio da compreensão, o silêncio do simples estar. E nisto se vão os anos, nisto se foi a bela alegria animal.
Não é clássico entre dois times que tem raízes comuns e uma relação de amor e ódio, como Palmeiras x Corinthians.
Não é clássico antigo como FlaFlu ou politicamente motivado, como Inter e Grêmio.
O clássico do domingo opõe invejas viscerais.
Uma inveja que se confunde com orgulho, amor próprio.
Sãopaulino não gosta de sofrer, mas certamente admira a fidelidade que o corinthiano dispõe por seu time. Mais que admiração, há o desejo de ser parte de uma torcida com tamanha paixão. Antes fosse a torcida do São Paulo tão apaixonada, eu diria!
Corinthiano adora sofrer, ganhar no último minuto, mas detesta perder o que mais deseja. Não lida bem com a derrota e sofre com os altos e baixos. Basta ver que 23 anos de fila são motivos de orgulho e vergonha a um só tempo. Quem dera houvesse tamanha estabilidade para ganhar uma Libertadores, deve pensar o alvinegro no fundo de sua inconsciência.
O São Paulo quer ter a maior torcida do Brasil, mas não tem vocação de clube de massa.
O Corinthians busca equilíbrio psicológico, mas tem uma construção visceralmente baseada em altos e baixos.
Até dois dos maiores ídolos de cada lado, irmãos, se opõem em aparência e essência.
Sintomático!
Nada simples o que se choca quando Tricolor e Timão jogam um contra o outro.
Jogo de antíteses!
Basta uma vitória de um dos lados e o outro já é freguês.
Para mim, vencer não basta. Tem que eliminar do campeonato!
Mas, por ironia, há o desejo inescondível de manter vivo o confronto.
Domingo é dia de agradecer por viver e ser apaixonado por futebol!