4 de dez de 2016

solidão

saudade de solidão
vazio adolescente
descobrindo imensidão

era como arar latifúndios
sem sequer saber ou ter
sementes.
vasta terra clamando grãos

entre um anel de fumaça
e outro madrugada adentro
pés na janela
dizia a mim mesmo:
- mais tarde

e eis a graça:
solidão de afundar o peito
de noites nem tão belas
era só eu a esmo
sem fazer alarde

mas havia algo único
inescapável
na inevitável
solidão

era ser e poder ser

2 de out de 2016

Carta a um amigo

Aceita, amigo, o tempo que resta.
O Tempo que foi foi o bastante:
O bastável diante do que há adiante.
Te envolve na ideia de crescer
E abraça o espírito do ver pra crer,
Que o futuro é maduro e é quem atesta.

Companheiro, vem pra fora do teu umbigo.
Vire homem e rompa teu cordão consigo!
Abandona tua pose de macho,
Se aquieta, sossega o facho.

E esquece a ideia jovial e besta
De achar que tudo o que experimenta
É novo e revolucionário.
Meu caro, te atenta!
Pois mais vale um futuro contido
Que um passado velho e repetido.

22 de set de 2016

Haddad

Não foram poucas as vezes que defendi a gestão do Haddad aqui.
Muitas vezes de maneira obsessiva e outras tantas até mal educada.
Tive a chance de consumir todo tipo de notícia e informação sobre a gestão da cidade e embora isso não seja algo novo para mim, foi a primeira vez que o fiz sob o ponto de vista de defensor do próprio voto. E também sobre uma convicção do rumo que a cidade assumiu nestes últimos quatro anos.
Também tive a chance de dialogar, de debater e até de brigar com muita gente aqui.
Gente com graus variados de informação e interesse pela política municipal.
Entendo hoje o tanto que isso me ajudou a construir e reconstruir uma postura política.

O grande aprendizado chega em forma de (auto)crítica: tirando as falhas de gestão, que são parte de qualquer administração, entendo que o erro maior do nosso prefeito foi não saber lidar com dissonâncias. Um pouco pelo tom professoral que ele adota e um pouco por arrogância, Haddad teve mais baixos do que altos para construir uma política de diálogo com seus opositores.
Foi pouco hábil para mostrar que seus interesses como gestor eram consonantes aos interesses de seus opositores. Foi pouco hábil para atrair apoio do lado de lá.
E grande parte de seu eleitorado (eu incluso) incorre no mesmo erro.

E vejam que o que está em jogo nestas eleições não são apenas as (importantes) decisões administrativas.
É o rumo que a cidade toma.
Tenho profundas dúvidas sobre os interesses dos três candidatos que lideram as pesquisas.
Um deles responde por uma máquina de lavar dinheiro sobre a fé das pessoas.
Outro parece um deslumbrado aventureiro, sem nenhuma noção da cidade que se propõe a governar, sem nenhum conhecimento da população que circunda o umbigo do Jardim Europa.
E outra que mostra fazer jogo duplo, com as famosas segundas intenções que seu partido cultiva ano após ano.
Nenhum deles apresenta uma ideia de cidade que sequer chegue perto do que o Haddad realizou de 2012 para cá. Nenhum deles apresenta um projeto consistente, que indique um interesse genuíno em governar São Paulo.
E lembro o quanto a cidade serviu de trampolim político para prefeitos anteriores.
Teve um prefeito que não chegou a completar 2 anos de administração e deixou no lugar outro cujo maior feito foi retirar os outdoors das ruas.

Haddad não está imune a este ambiente e a críticas semelhantes.
Se em 2012 ele precisou lotear a Secretaria de Habitação para o PP do Maluf e a Educação para o PMDB do Temer, me pergunto qual será o preço a pagar por ficar no PT.
E em um PT com muito restritas possibilidades de loteamento político.
Eu acho que o Haddad deveria sair do PT muito menos pelo discurso hipócrita que sua oponente do PMDB alardeia e muito mais pela falta de respaldo que o partido lhe deu em 4 anos.
Um ponto muito alto da administração foi ter governado com certa independência do partido, como mostra o caso dos 20 centavos e a renegociação da dívida com o governo Dilma.
Pode ser que seja tarde, mas Haddad está diante do dilema entre a fidelidade canina, quase cega, pelo partido que defende há 30 anos e do interesse pelo bem da cidade que governa.
Eu acho que ele pende mais pela segunda opção, até porque sinalizou isso cotidianamente durante 4 anos de governo.

No entanto, considerados os desafios em uma metrópole tão heterogênea, considerando o momento político agudo que atravessamos, considerando estes erros em uma escala maior de postura e gestão administrativa, repito: Haddad foi o melhor prefeito que a cidade teve em décadas.
E aqui eu também deixo de lado os pontos fortes e feitos administrativos. É informação batida e repetida em época eleitoral e são aspectos menores dentro de um feito mais importante.

E qual foi o feito mais importante do Haddad?
Foi ter direcionado a administração com outros referenciais e para outro sentido. Diferentes daqueles que conhecíamos antes de 2012.
Haddad não foi demagógico com a administração, tomando decisões altamente impopulares mas benéficas no longo prazo. Os 400km de ciclovias e faixas de ônibus estão aí pra provar.
O Plano Diretor aprovado junto à Câmara Municipal também.
Haddad também não fez demagogia com o dinheiro público: lembro da discussão dos 20 centavos em 2013, quando ele expressou com clareza a necessidade de discutir o orçamento municipal com a população. 20 centavos a mais de subsídio às tarifas representaram cortes em outros setores, como saúde e educação.
Hoje a cidade ostenta a condição de Investment Grade, indo na contramão das finanças do próprio país.
Por fim, por mais que a persona Fernando Haddad tenha tido dificuldades de diálogo com os dissonantes, também é dele a marca de abertura democrática da cidade: hoje temos um Conselho Municipal, formado por ilustres paulistanos de diferentes setores e classes sociais, e temos as inúmeras consultas públicas ao longo de 4 anos como prova de uma mentalidade aberta, corajosa e vanguardista.

Por tudo isso, entendo que o prefeito merece mais 4 anos. E se isso não convence, me abro para debater um pouco mais nestes dias que antecedem as eleições!
#FicaHaddad

16 de set de 2016

5 anos

Como hoje, foi numa noite de sexta-feira.
E uma noite de encontro, como que fechando um ciclo e começando outro.
Era noite de envio de construção do Teto.
Mas nem eu, que havia anos não abria mão pegar em ferramentas, nem você fomos junto daquele grupo de voluntários.
Ficava para trás uma história de encantamento, a causa nobre pela qual nos cruzamos na vida.
E nós nem sabíamos que ali começaria uma construção só nossa: com nossas dificuldades e nossas realizações, ansiedades e descobertas, incompreensões e compreensões.
Tão 'pés no chão'.
Tão intensa.
Tão real!
Foram cinco anos profundamente maravilhosos. Mais que especiais!
Vi você se tornar uma mãe e mulher incomparável. Me vi descobrindo a paixão pela paternidade.
Te agradeço pela companhia, pelo carinho, pela entrega cotidiana.
Te amo!

17 de mar de 2016

Esquerda - Um textão

Muito além do escárnio exposto por acontecimentos que se empilham sem que a gente consiga processar a informação, muito além da tragédia institucional, política e econômica provocada pelo governo Dilma e, também, pelo governo Lula, me ponho a pensar no delicado momento que a esquerda brasileira enfrenta.
Falo como alguém que se considera de esquerda, embora, muito humildemente, tenha a ciência de que isso tem mais validade no campo do pensamento que no campo da ação.

(Vamos estabelecer, de forma algo rudimentar, que esquerda é o lado que se posiciona, na gangorra "Liberdade X Igualdade", mais na segunda que na primeira. E que, dentro deste campo, há infinitas possibilidades de pensamento e ação.)

A esquerda brasileira precisa encarar boas horas num divã.
Uma necessidade que se torna urgente nesse momento em que ela própria, a esquerda, passa a ser confundida com as ações descabidas do governo, de políticos ou mesmo de militantes.
Mas veja bem, caro leitor: o divã metafórico se faz urgente, especialmente, porque a esquerda brasileira parou de olhar para si. Somos um bando a apontar dedos, incapazes de assumir responsabilidades, incapazes de estabelecer margens e limites claros de conduta e de ética. Não estamos usando a mesma régua que usamos nos outros para medirmos a nós mesmos.

Poderia dizer que os governos recentes do PT sequestraram a esquerda.
Poderia...mas essa seria apenas mais uma forma de colocarmo-nos como vítimas.
Ocorre, na verdade, que viemos paulatinamente entregando voz e discurso a um governo que, de esquerda, teve muito mais marketing que debate profundo e ação consistente. Como se o pensamento da nossa esquerda tivesse deixado as cadeiras da PUC ou da FFLCH e sentado nos bancos da ESPM (nada contra os primeiros ou a segunda, apenas uma constatação).
É compreensível: era vocação do PT e de outros partidos do campo da esquerda. O diálogo com os movimentos sociais, a capacidade de articulação nas ruas, a conexão com os problemas mais crônicos da sociedade brasileira, os olhos e ouvidos abertos para os anseios do povo.
Ocorre que o marketing ultrapassou a utopia em termos de referencial. E nisso, o apego pelo poder e pela posse do discurso de esquerda viraram prioridade.
Nisso, também, se perdeu aquela bela metáfora do Galeano sobre a utopia. Da referência no horizonte que nos conduz, sempre como algo maior do que nossos umbigos.
A esquerda foi pega e presa nessa mixórdia.

A foto da babá no último domingo e as discussões que se encadearam depois da exposição dela indicam algo de muito apodrecido em nosso pensamento.
O discurso (marketing) se tornou protagonista e a realidade mera coadjuvante. No afã de defender uma posição e demarcar uma visão de mundo, ocupamos o lugar e a fala de quem nós julgamos ser os oprimidos. Será que nos acostumamos tanto com essa ideia torta de "consciência social" depois dessa metamorfose que o governo petista promoveu dentro da esquerda?
Na minha pequena experiência em uma ONG que trabalha com moradores de favelas, com pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza, foram incontáveis as situações em que o protagonismo era desviado para o discurso ou para aqueles que deveriam mais ouvir e ver do que falar. Eu mesmo como voluntário, muitas vezes caí nessa tentação que muito alimenta o ego.
Marketing para si faz um bem danado!

E para piorar esse quadro, nossa esquerda encara hoje a ferida narcísica de ver a rua ser ocupada por gente que não faz a menor questão de alimentar esse ego. Alimentar o nosso ego!
As manifestações recentes, tão fundamentais para o amadurecimento da nossa democracia, foram diminuídos por racionalizações ridículas como: "diga-me com quem protestas que te direi quem és" ou "as manifestações contra o Collor foram maiores em termos relativos porque a população era menor na época" ou "elite golpista não passará".
Cuidado, esquerda, para não resvalar no autoritarismo de pensar que a divergência não é cabível!
Cuidado com o descolamento da realidade, de achar que tudo é conspiração de elites, de imprensa golpista, da Globo.
Cuidado com a paranóia.

Concordo que estes 'óculos' que vestimos nos faz enxergar sutilezas como as filas para comprar bilhete do metrô (a elite não tem bilhete único e não anda de transporte público). Ou como a presença maciça de gente branca nas ruas. Concordo que podemos procurar entender a representatividade das manifestações.
Mas nossas conclusões, tão precipitadas, nos cegam.
A esquerda parou de pensar e de propor para se tornar uma reles "Fiscal de Melanina", termo que empresto das redes sociais.
É preciso ir muito além disso.
É preciso olhar pra dentro e pôr os pés no chão.

17 de fev de 2016

Mil recomeços

A cada tijolo empilhado
(e chutado)
Cresce a incerteza do preço.

E tudo que peço
A mim mesmo,
De todos meus rumos
A esmo,
É apenas um tanto de apreço.

E me apresso a esticar
Alta pilha.
E eu erro,
Me ponho em ilha.

E sinto-me preso.

E sinto meu peso:
Carregado, pilhado,
Do avesso virado,
Inábil a largar esse vezo.

E agora é o fim dos começos,
A mim basta um, eu careço!
É o dia da trégua,
Eu largo a régua,
Nem corro mil léguas.

E traço meu passo:
Recomeço.

23 de mai de 2015

Rogério Ceni

Nunca carreguei comigo a ilusão de que sua presença em campo seria eterna, infinita.
A despeito do seu apelido, os últimos 18 anos com você dominando a camisa 01 foram a experiência mais terrena, mais concreta, mais humana que vivenciei.
É evidente que há algo de transcendental, que há coisas que me escapam a compreensão, mas você como nosso arqueiro foi um fenômeno maravilhosamente humano.

Em primeiro lugar, porque finito.
Para mim e (acho que) pra maioria dos tricolores que rotineiramente subiram as rampas do Morumbi pra te ver jogar, as perguntas íntimas eram as mesmas: até quando? até quanto?
A celebração de seus recordes empilhados ano após ano não revela nada além de sua essência mais humana. Fosse você infinito, o que haveria de celebrar?
Aliás, você incorporou como poucos este espírito sãopaulino: é justamente porque o tempo passa, porque as coisas acabam, que há de se aproveitar os momentos que ocorrem diante e ao redor de nós. E que há de se registrar a História e celebrar ídolos.
Passado, presente e futuro.
O São Paulo é isso e você sabe que não poderá deixar de sê-lo. ("O São Paulo parou no tempo", você nos alertou um dia!)
No campo de jogo, você era o cara que mais tentava domar o tempo. Ou o Tempo!
Na iminência de eliminações dolorosas, lá ia você até o meio-campo pra tentar inventar alguma coisa, muitas vezes no desespero. Lá ia você cobrar um lateral já nos acréscimos...
E você sabe melhor que a maioria dos jogadores de futebol o quanto dói perder jogos e até títulos nos minutos derradeiros!

Do lado de cá, devo ter presenciado uns duzentos jogos da minha infância/adolescência até hoje. Sempre (raras as ausências) com você na pequena área.
Hoje vejo como foi fundamental na formação do meu caráter essa percepção do tempo passando.
Foram, por exemplo, dez obsessivos anos esperando pra jogar uma Libertadores.
(quando o Marcelinho Paraíba fez aquele gol no Mineirão, a primeira coisa que disse pra mim foi "vamos voltar pra Libertadores, caralho!").
Foram dolorosos anos como freguês dos nossos maiores rivais, ou vendo-os abocanhar títulos atrás de títulos. E também vinham aquelas mesmas perguntas íntimas: Quando? Quanto?
Ao mesmo tempo, crescer no Morumbi. Ao lado dos irmãos, do pai, dos amigos...
Aquela experiência única, que sempre, SEMPRE, me devolve à infância, de passar pela boca da arquibancada e me deparar com imensidão do nosso estádio! Eu perco o ar, qual um menino, toda vez que faço isso.
E o tempo vai passando, a memória vai crescendo, a nostalgia se torna presença constante.
Hoje eu anseio levar minhas filhas para conhecer nossa casa.
Então é isso: você foi, talvez, o grande condutor dessa experiência temporal e mundana para mim.

O segundo elemento desse fenômeno demasiadamente humano é a constante lapidação a que você se submeteu nestes anos todos.
Foi uma lapidação simbólica e, também, corporal.
E a vida é isso: criar-se, conhecer-se, recriar-se.
A seu respeito, sempre digo duas coisas: 1) você não é craque inato, é craque construído. Cotidianamente, obstinadamente. 2) você é o maior ídolo do São Paulo Futebol Clube não só pelo currículo recheado de vitórias, mas também pelas inúmeras derrotas. Você ganhou E perdeu mais que qualquer outro jogador nosso. Mas sobre isso eu falarei mais adiante.

Quando falo em lapidação, lembro de quão profissional você foi durante toda a carreira: você fez por merecer chegar aos 42 jogando em alto nível. Sempre se cuidou, sempre treinou com afinco, nunca reclamou. De novo, você sabe melhor do que ninguém o que significa a passagem do tempo, então tratou de cuidar muito bem da própria saúde. Não é fácil!
Pro torcedor aqui, a imagem era clara: os cabelos foram rareando, algumas manias foram se reforçando, as rugas foram aparecendo, a pancinha e a corcunda também, a cara de cansaço depois dos jogos. Nunca vi isso com negativismo, mas com naturalidade. Envelhecer é bacana!
Seu talento foi desenvolvido com trabalho, com afinco, sem acomodação. Bater faltas e convertê-las em gols, afinal, é isso. Defender pênaltis ou ter bom reflexo também.
Eu lembro de um gol que você sofreu num jogo contra o Guarani, em 1998: você saía mal do gol (lógico que nossa defesa não ajudava)!
E você teve, talvez, mais partidas espetaculares como goleiro depois dos 32 do que antes! Ou talvez seja só minha memória falhando.
A outra lapidação foi a do caráter: você não foi craque inato, mas foi líder nato e sempre foi correto!
Condução por exemplo na maior parte do tempo e, quando necessário, por autoridade (nunca autoritarismo).
Antes disso, também soube esperar sua hora, sendo pupilo de caras como Zetti, Telê e Muricy. Nem todos conseguem esperar. Haja humildade!
E o que vejo hoje é o respeito que você desperta nos mais jovens. Quando o Lucas despontava, ele dava tímidas entrevistas dizendo da importância de ter você como líder, como companheiro de clube, como amigo. Difícil lembrar de algum jogador que tenha te conhecido e não gostado.
O último e, talvez, principal elemento dessa lapidação é que você sempre escolheu ser protagonista de sua própria vida. Nem todos conseguimos fazer isso: assumir responsabilidades, encarar erros de frente e seguir tentando.
Conhecer-se é uma aventura difícil!
Colocar-se no mundo é mais complexo do que pode parecer.
E você se fez presente. Sempre se fez presente!

No campo de jogo, explico em metáfora: tenho um mantra sobre a Libertadores. "Pra ganhar uma Libertadores, é preciso perder uma Libertadores".
Tanto é assim que vejo nossas campanhas de 2004 e 2005 como uma só.
É preciso se apropriar da nossa trajetória para ter êxito e paz interior!

Por fim, o último elemento: ganhar e perder.
Mais do que a frieza e crueza dos números, bons e ruins, em todos estes anos valeu a forma como vieram as vitórias e as derrotas.
Apesar de você ainda pagar a pena por uma frase mal pensada e mal colocada na juventude ("Foi a melhor atuação de um goleiro na Seleção nos últimos tempos..."), é impressionante a sua capacidade de perder com altivez e assumir o que lhe cabe como capitão do time há quase duas décadas.
Eu sinto que aprendemos juntos a perder primeiro para ganhar depois. E sabemos que as derrotas sempre foram mais pedagógicas.
Perseveramos, tivemos paciência, choramos na solidão do travesseiro e das pequenas áreas e  arquibancadas e, na hora precisa, gritamos juntos pelas conquistas.
Você incorporou o clube como poucos jogadores na história desse esporte apaixonante e isso se refletiu na intensidade e na vibração do ganho e da perda.
Quantas boas memórias! E quantas cicatrizes!

Eu só tenho a te agradecer pela incrível jornada que tem sido torcer pelo nosso São Paulo, pelo goleiro-artilheiro que só nós temos!
Eu nunca tive a ilusão de vê-lo na pequena área eternamente.
Por isso pude aproveitar tanto!
Obrigado, M1TO!
Saudações Tricolores!