06/07/2009

Precisamos de você

por Bertolt Brecht

Aprende - lê nos olhos,
lê nos olhos - aprende
a ler jornais, aprende:
a verdade pensa
com tua cabeça.

Faça perguntas sem medo
não te convenças sozinho
mas vejas com teus olhos.
Se não descobriu por si
na verdade não descobriu.

Confere tudo ponto
por ponto - afinal
você faz parte de tudo,
também vai no barco,
"aí pagar o pato, vai
pegar no leme um dia.

Aponte o dedo, pergunta
que é isso? Como foi
parar aí? Por que?
Você faz parte de tudo.

Aprende, não perde nada
das discussões, do silêncio.
Esteja sempre aprendendo
por nós e por você.

Você não será ouvinte
diante da discussão,
não será cogumelo
de sombras e bastidores,
não será cenário
para nossa ação

01/07/2009

Carta a um voluntário do Teto

Caro voluntário,

Vou lhe contar uma história sobre o Tempo. Não se preocupe, serei breve!

Certa vez estive no Peru. Não faz muito tempo...

Entre dias e dias de viagem, milhares de passeios por ruínas de civilizações anteriores a nossa. Desde Tihuanaco até o império Inca, que pereceu após a chegada dos espanhóis. Os europeus dizimaram índios de ponta a ponta do nosso continente e acabaram por impor um modelo de civilização que conhecemos até hoje!

Toda a forma como pensamos e enxergamos o mundo hoje tem suas raízes nos povos europeus que influenciaram quase todos os cantos do planeta. Em especial as Américas.

Mas voltando à minha viagem...

Em uma das cidades que visitei, Ollantaytambo, tive uma epifania. Um daqueles momentos de grande aprendizado, grande iluminação, em questão de segundos. Observava um santuário Inca de uma cidade que, ainda hoje, permanece usando algumas estruturas construídas antes da chegada dos europeus. Os aquedutos, por exemplo...

Esse santuário ficava no alto de um morro e atrás dele havia um vale de tirar o fôlego! O guia explicava que o santuário estava inacabado por causa da invasão dos espanhóis (sempre eles!). Apontava as evidências de que ainda faltavam pedras a serem colocadas no santuário.

Aliás, sugiro que você pesquise um pouco sobre a engenharia dos Incas. Eles eram capazes de construir um muro com pedras gigantescas se encaixando como um enorme quebra-cabeças! Não usavam nada como cimento. Só encaixe! E, acredite ou não, essas obras estão em pé até hoje. Resistindo ao tempo e aos fenômenos da natureza como terremotos, típicos no Peru. Nem mesmo as construções atuais são tão resistentes!

E lá estava eu admirando o tal santuário. Impressionado, boquiaberto, admirado!

O guia mostrou o grande vale atrás do santuário e apontou a pedraria de onde os incas retiravam as pedras para construir não apenas aquele espaço, mas toda a cidade ao redor de onde estávamos. No meio do caminho, entre o santuário e a pedraria, havia um gigantesco bloco de pedra. Arrastado e largado ali.

Sim...Drummond que me perdoe, mas no meio do caminho havia uma pedra!

Não um simples bloco de pedra, um bloco de uns 3m x 3m x 3m! Pesado como o inferno! Cortado como se fosse um dado! E o primeiro espanto é pensar como, no século XV, eles eram capazes de ser tão precisos no corte de uma pedra!

E lá continuei eu. Mirando a pedra distante e ouvindo o guia. Imaginando o momento da chegada dos espanhóis se houve conflito entre nativos e europeus. Pensando, também, em como ‘raios’ os tais incas poderiam subir morro acima com um troço daqueles sem guindastes, caminhões, helicópteros ou qualquer coisa que o valha...

O guia explicava que eles eram capazes de demorar dias, semanas, meses, anos, décadas construindo aquele santuário. Gerações indo e vindo com o objetivo de terminar de construir aquele espaço sagrado...

Foi quando ele proferiu a frase que estalou na minha cabeça: “Um homem daquele tempo era capaz de passar uma vida toda construindo algo que certamente não veria acabado. A noção de tempo deles era diferente da nossa...”

Uau! Vai ser bem resolvido com o Tempo assim lá no Peru!

Depois disso, não consegui parar de pensar em como lidamos com o Tempo hoje em dia. Sim, Tempo com T maiúsculo. Esse mesmo versado por Caetano, filosofado por Heidegger ou fabulado pelos gregos...

Nos tempos modernos de hoje, lidamos com o Tempo como se ele fosse uma ampulheta das nossas vidas individuais. Uma fina areia que corre e cai de um bulbo de vidro para outro. Cada grãozinho representa uma meta a ser cumprida, um dia a ser vivido, um ano a ser completo. Ou, no bulbo de baixo, uma memória marcante, uma cicatriz incurável, um dia inesquecível...

E dessa forma vivemos todos os dias. Sem pensar que essa forma de ver o mundo é como o ar que respiramos. Está lá, respiramos, mas nunca filosofamos sobre ele...Não é algo visível, palpável.

Entre outras coisas, essa epifania me fez pensar em nosso trabalho voluntário.

Trabalho duro!

É o dinheiro a ser arrecadado. Favelas a serem visitadas. Coletas e construções agendadas no calendário.

Nesse final de semana de construção, pilotis a serem fixados. Pregos fincados na madeira e telhado pronto para uma família ter uma casa, uma vida melhor.

Trabalhamos com metas e é normal que seja assim!

“Começou, não pára!”, como diria o outro...

E, no horizonte, uma meta difícil de digerir. É Brasil que não acaba mais! Favela atrás de favela. Barracos morro acima e famílias desabrigadas água abaixo...

Assim fica difícil mesmo! Pensar em quanto trabalho teremos pela frente...

Mas queria nos dar uma sugestão: Que tal se começássemos a enxergar nosso trabalho como os incas enxergavam aquele santuário sagrado? Que tal se pensássemos no Tempo de uma forma que fosse mais fácil de digerir nossas metas?

Assim como eles pensavam bloco de pedra por bloco de pedra, que tal pensarmos casa a casa, família a família?

Imagine um homem carregando nos ombros um bloco de pedra morro acima pensando que jamais chegaria a desfrutar daquele santuário. Que talvez nem os filhos ou os netos poderiam realizar uma cerimônia religiosa por ali...

Agora imagine que mesmo assim as pedras foram recortadas e levadas até lá! Pedra a pedra! E todas elas se encaixando.

E aquele santuário de Ollantaytambo não foi o único! Há construções como aquela espalhadas por todo o Peru, pelo Chile, pela Bolívia...

Que tal vermos o nosso trabalho como fundamental para as gerações futuras? Que tal tirarmos um pouco do peso de ‘resolver o problema do Brasil’ e pensarmos no Tempo como algo contínuo, que não está cerrado dentro de bulbos de vidro ou marcado pelas batidas de nossos corações?

Para mim funcionou. Deu um alívio!

O problema das favelas no Brasil e na América Latina não é um problema individual, um problema meu. É um problema compartilhado! É nosso!

Continuo trabalhando. Continuo a ter metas, mas faço questão de dividir esse trabalho com meus contemporâneos e com as gerações que estão por vir.

Talvez seja esse o segredo dos Incas. Suas construções, de tão sólidas, resistiram ao Tempo como poucas na História...

Um abraço e boa construção!

Mellinho

27/06/2009

Ser ele for...

Se o Muricy for pro Palmeiras, perco minha voz no Morumbi. Aí sim a diretoria terá me deixado verdadeiramente puto!
Se o Muricy for pro Palmeiras, já tenho meu candidato ao título do Brasileirão. Ou alguém duvida?

25/06/2009

Michael Jackson

"Beat it, beat it,
Beat it, beat it,
No one wants to be defeated.."

Perdemos um marco da música do século XX
Grande pena...

Dou o braço a torcer...

...o São Paulo não seria capaz de fazer um jogo a altura deste primeiro Cruzeiro e Grêmio pelas semifinais da Libertadores.
Não com a bola que vem jogando.
E não pela bola que foi jogada no Mineirão hoje!
Mais o Cruzeiro, que mal deixou o Grêmio jogar.
Apesar das boas chances que os gaúchos tiveram para dar mais passos rumo à final.
Cada gol perdido pelo ataque tricolor...

Como marcou o Cruzeiro! Como atacaram o mineiros! Como infernizou o atacante Kléber!
E como joga bola esse Marquinhos Paraná!
Tudo sob a mais do que competente batuta de Adílson Batista.

O Grêmio, por outro lado, apesar de apresentar um futebol abaixo do esperado, mostrou muita garra.
"Não está morto quem peleia", lembrou um cada vez mais gaúcho Souza, que comeu a bola.
Pediu, foi para cima, jogou dos dois lados, cavou uma falta e converteu em gol a única chance gremista do segundo tempo, quando só dava Cruzeiro!
E pros sãopaulinos que não souberam entender o Souza quando vestia a camisa do Tricolor Paulista, eis aí um meio-campista completo!

O Imortal Tricolor está vivo graças a magistral falta cobrada por Souza.
Agora "só" precisa de um Olímpico cheio, atacantes mais inspirados e um capitão/camisa 10 que faça por merecer faixa e número.
Tcheco foi horroroso hoje!

Para quem nada tem a ver, fica a esperança de mais um bom jogo!
E a certeza de que o São Paulo vai ganhar companhia no posto de maior campeão das Américas no Brasil...

Em tempo: o Cruzeiro venceu por 3 a 1. A volta é na quinta que vem, em Porto Alegre...

24/06/2009

E ainda:

Além dos jogos que vi do Muricy como técnico do São Paulo, vi outros três como adversário do São Paulo.
Todos no Morumbi.
E adivinha só: três vitórias do treinador.
A primeira, em 2003, Internacional 2 x 0 São Paulo, na famosa despedida do Kaká, quando a torcida Independente (sempre ela!) escorraçou o menino que viria a se tornar melhor jogador do Mundo.
A segunda, em 2004, São Caetano 2 x 0 São Paulo, pelas quartas-de-final do Paulista. Aquele time jogava muito bem e acabou campeão estadual.
Por último, em 2005, Internacional 3 x 1 São Paulo. Este, porém, tem o atenuante do São Paulo estar jogando com o time reserva, pois acabara de vencer o River pela Libertadores e aguardava o jogo de volta em Buenos Aires.

Vai ser difícil caso o caminho do São Paulo se cruze com o do Muricy novamente...

21/06/2009

E digo mais:

Vi o time do Muricy ao vivo em 93 ocasiões.
Estive na primeira, numa derrota contra o Santo André, em Santo André.
E estive na última, quinta passada.
Foi, de ponta a ponta, o maior prazer que senti como torcedor do São Paulo.
Falo, sem medo de errar, que Muricy é meu maior ídolo no futebol.
Mas acho que muito poucos vão entender o que quero dizer...

19/06/2009

Só digo uma coisa:

"É Muricy...é Muricy...é Muricy!"